segunda-feira, 2 de junho de 2008

Teoria 19: O fim dos diálogos

Teoria: o diálogo está entrando em extinção para abrir espaço aos monólogos.

Desenvolvimento: É claro que ainda há os que se salvam e disseminam a arte de estabelecer diálogos, mas a moda disseminada cada vez mais é a de monologar. O que seriam os monólogos? As pessoas ouvem as outras apenas para perceber o ponto final e então emendar a sua fala. E claro, aproveitam o tempo que a outra pessoa desgasta suas cordas vocais para elaborar o que falará de tão sensacional. São raros os momentos em que se exerce o ato de escutar, processar a fala do outro e então devolver uma resposta.

Hipóteses: Talvez haja uma epidemia de transtorno de linguagem. Talvez as pessoas acham que não há nada de interessante na fala do outro. Talvez as pessoas se achem interessante demais...

11 comentários:

Ju disse...

Talvez as pessoas falem coisas óbvias demais. Pessoalmente, já de cara não tenho paciência pra gente reclamando que tá frio, que vai chover ou que tá quente e o sol tá de matar. Tipo, coisas que todos estão sentindo, que são comuns...simplesmente, me irritam. E esse meu preconceito vai agravando a medida que eu fico íntima das pessoas e dos seus mesmos problemas: o namorado que não liga, o chefe que só reclama etc... e no fim apenas duas respostas possíveis: "arrãm!" ou "ããn!". Porém, com mesmo objetivo: encerrrar o papo.

Kinna disse...

As pessoas definitivamente se acham interessantes demais.

Too cool to listen other people.

P.S.: O melhor dessa teoria é que ela pode ser comprovada absolutamente toda hora.

Lucio disse...

ahahah boa essa.... mas o problema eh que se a sua fala for relativamente grande, nesse ínterim do falar, o ouvinte vai acabar se lembrando de um fato crucial / cômico / trágico / constrangedor que aconteceu com ele, e a partir desse momento, a sua fala vai se tornar um blaaablaablaaa ateh vc terminar de contar e ele lançar um "puuutzz" ou "seriooo" automatico pra poder começar a contar o dele.

Lucio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Joyce disse...

Tenho uma teoria. Acho que vc diz o óbvio. E se acha interessante demais.

Rayssa. disse...

talvez vc tenha se dedicado além do seu trabalho de neurociencias e ficou com o transtorno de linguagem na cabeça.
talvez as pessoas não saibam ouvir pq querem ser ouvidas antes... e nos remete ao fato de que pouquíssimas vezes na vida pessoas pararam para nos escutar sem ter algo pronto para responder.

Maneco disse...

Aconteceu comigo recentemente:
Um colega veio me reprimir por fazer algo, quando tentei entender o porquê dele achar que o que eu fiz estava errado e o questionei, ele ignorou meu questionamento e simplesmente explicou seu ponto de vista novamente... Insisti, perguntei novamente usando de outras palavras para ver se ele entendia, ele começou a achar que eu tinha a convicção de que eu estava certo ao questionar o porquê dele achar que eu estava errado, e logo tomei outra repreensão sem sequer ter entendido a primeira...
Enfim consegui penetrar sua barreira depois de alguns minutos de conversa porque estava com a paciência em dia...
Onde quero chegar? Nem sempre o óbvio é tão óbvio assim, veja bem, não consegui que ele entendesse o que era bem óbvio para mim porque ele ouvia algo que não era o que eu dizia...

Talvez Joyce, falte a você enxergar aquilo que a autora realmente quer dizer aqui, afinal isso é apenas o produto de conversas entre pessoas normais, e se você veio aqui esperando algo de brilhante ou algo que fugisse daquilo que para você parece óbvio, talvez essa teoria sirva mais para você do que imaginas...

Para deixar bem claro, não propus aqui um diálogo, ou uma troca de monológos, apenas quis expor meu ponto de vista... Tens todo o direito de discordar e de se manifestar, mas eu encerro aqui...

Joyce disse...

Maneco, vc acabou afirmando o que eu disse. Estamos monologando o óbvio em cima da obviedade pretenciosa da autora.

Bel Keppler disse...

"Pode soar muitas vezes pretensioso, mas é isso mesmo. Sendo a maioria das teorias criadas em bares ou em conversas clandestinas no fundo da sala; e não em laboratórios, não dava para esperar nada muito além disso.

Divirtam-se, irritem-se e sintam-se a vontade para observar a veracidade da teoria e então trazer nos comentários a sua prova prática ou então contra-argumentá-la."

Querida Joyce,
Se vc for no primeiro post, encontrará esse trecho que quis colocar aqui. Sinceramente, fico feliz que nós que fazemos o blog estamos cumprindo tão bem a nossa proposta, inclusive a de te irritar. Espero ter cada vez mais convidados interessantes no blog para postar suas teorias (Rá, coloco aqui meu convite novamente).

Respondendo aos outros, acho que as pessoas monologam a partir do momento que criam uma oposição com quem começou o assunto. Ou seja, se o primeiro vai falar A, eu vou ter que falar B, para gerar uma discussão.

O problema, creio eu, é que não é necessário que seja um CONTRA o outro para existir um diálogo. Acho que dá para construir um (ou vários) pensamentos a partir de diferentes pontos de vista. Quando se estabelece um diálogo, não é obrigatório existir DOIS pontos de vista, e que UM "ganhe".

Enfim, não vou escrever muito pois estou com preguiça. Acho que fui clara.
Em breve mais teorias.

joyce disse...

É.. eu tinha lido o primeiro post há tempos atrás, por isso senti total liberdade de postar quando sentisse vontade. Ledo engano. Eram apenas justificativas prévias. Quanto ao meu grau de irritabilidade, é preciso um pouco mais do que simples obviedades para atingi-lo.

Rayssa. disse...

acho muito simples alguém entrar aqui como "joyce" e querer questionar algo que já foi dito como infundado, simplesmente teorias discutidas entre amigos.
e caso vc não esteja mesmo irritada, vc está no mínimo incomodada por vir até aqui postar um comentário medíocre como o seu.
Sim, já aceitei entrar nesse blog. hahaha